fevereiro 22, 2004

É Carnaval

Dedicado aos amigos-poetas brasileiros


O corpo embotado pelo tempo
Traz ainda a memória da dança.

Os braços sonham com braços
A boca com o sabor das canções.

Os pés sentem a falta das tábuas
As pernas ondeiam num frenesim.

Desempoeira-se a fantasia do armário
Enverga-se a máscara sobre a máscara.

Há um formigueiro a subir pelos dedos
Pelos braços e pela espinha acima.

O ventre agita-se por dentro
Adivinhando o palpitar da música.

Abrem-se as portas de par em par
E há um grito que enche as ruas:

É Carnaval!

Carlos Alberto Silva
22fev04

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fevereiro 21, 2004

Ainda Lisboa

Para Joaquim Evónio, André Ricardo Aguiar e José Félix

O vento chicoteia
a pele e varre
a esplanada do castelo

enche de lágrimas
os olhos perdidos
na lonjura do rio.

O sol brilha nas casas
que cresceram
sobre as casas
que cresceram
sobre as casas

e enchem o subsolo
de memórias antigas.

Agita-se o formigueiro
que enche as ruas
num corrupio febril

alheio às casas
às memórias do subsolo
ao castelo
e ao rio.

Carlos Alberto Silva
20fev04

Publicado por calbsilva em 10:31 PM | Comentários (0) | TrackBack